Nossa capacidade de sobrevivência está diretamente
relacionada à habilidade de memorizarmos experiências que foram ameaçadoras. A
memória é composta de três elementos: registro, armazenamento e capacidade de
evocar experiências e fatos ocorridos.
Ocorre que não possuímos um filtro para discriminar na
experiência aquilo que foi de fato ameaçador de outros estímulos que somente
estavam presentes no momento do registro da experiência (estímulos pareados),
sem que necessariamente houvesse alguma relação de causalidade.
Na prática, quanto
maior for a generalização (toda a experiência associada com a percepção de
ameaça), maior será a minha percepção de proteção quanto a possibilidade do evento voltar a
se repetir. Por outro lado, o efeito pernicioso é que acabamos deixando de
viver experiências, aproveitar oportunidades, estabelecer relações e toda uma
gama de experiências humanas pois ampliamos muito aquilo que introjetamos como
ameaçador.
Eric Kandel, um dos pioneiros nas pesquisas sobre a mente
humana e memória, traz um trecho muito claro para ilustrar este conceito:
“...Após ouvir o disparo de uma arma de fogo, a pessoa mostrará uma resposta exagerada e se assustará ao ouvir o som de uma campainha
ou sentir um toque em seu ombro. Konrad Lorenz descreve em detalhes o valor de
sobrevivência dessa forma aprendida de vigilância até para os animais mais
simples: “Uma minhoca que acaba de escapar de ser devorada por um melro [...]
fará bem em responder com um limiar consideravelmente mais baixo a estímulos
semelhantes, uma vez que é quase certo que o pássaro ainda estará por perto
durante os próximos segundos”.
Ocorre que a generalização também ocorre de maneira
inconsciente. Se uma professora dá broncas diárias e sistemáticas em seus
alunos, e faz uso da mesma fragância todos os dias, não surpreende que parte
destes alunos, na sua vida futura apresente uma resposta aversiva às mulheres
que façam uso da mesma fragância. E muito provavelmente eles não estarão
conscientes desta associação (pareamento). Sem se falar muitas vezes da desproporção de nossas reações e comportamentos frente à situação vivida no momento presente. Quantas vezes as pessoas não alegam falta de entendimento sobre a intensidade de sua própria reação?
Acaba-se pagando um preço muito alto com renúncias e
sacríficios para que possamos nos sentir seguros, ainda que inconscientemente.
Um dos grandes benefícios do tapping é conseguirmos romper
com estas associações que acabam se tornando fonte de angústia e sofrimento.